Porque o 5G não tem ligação com a disseminação do coronavírus

Apesar de não haver evidências de que o sinal do celular representa risco para a saúde, teorias da conspiração vinculando o sinal 5G à pandemia do coronavírus, continuam a se espalhar.

Essa desinformação se espalhou após a entrevista de um médico, em janeiro de 2020, em que ele comenta que desde 2019 várias torres de celular 5G foram construídas em torno de Wuhan e que isso poderia estar relacionado ao início da pandemia COVID-19.

Quando essa entrevista foi vista, apresentadores de talk shows on-line e vloggers começaram a espalhar o vídeo no YouTube, alegando que estavam revelando “a verdade” sobre 5G e o coronavírus, acumulando dezenas de milhares de visualizações.

Com a rapidez que essa ideia se tornou viral, algumas pessoas decidiram fazer justiça com as próprias mãos, ateando fogo a torres de 5G pelo Reino Unido, incluindo Birmingham, Liverpool e Merseyside.

Essas teorias baseiam-se na visão de que o 5G enfraquece o sistema imunológico e que o vírus está de alguma forma usando as ondas de rádio da rede para se comunicar e escolher as vítimas, acelerando sua disseminação.

Embora o 5G use frequências de rádio diferentes de seus predecessores, a banda de onda utilizada ainda é “não ionizante” e, portanto, não tem energia suficiente para quebrar as ligações químicas no DNA em nossas células que permitiriam causar danos.

Simplificando, enquanto ondas de rádio muito fortes podem atrapalhar sua fisiologia, à medida que te aquecem, e isso significa que seu sistema imunológico não consegue funcionar, os níveis de energia das ondas de rádio 5G são minúsculos e eles estão longe de serem fortes o suficiente para afetar nosso sistema imunológico. Na verdade, um microondas emite uma onda de rádio mais poderosa do que a torre 5G mais próxima da sua casa. Além do mais, os sinais 5G são mais fracos na penetração de objetos do que os sinais 4G, e é por isso que a rede 5G requer muito mais torres pequenas construídas próximas umas das outras.

É importante ressaltar também que existem muitos estudos sobre os efeitos do 5G na saúde. Por exemplo, no início de 2020, um estudo de longa data, da Comissão Internacional de Proteção contra Radiação Não Ionizante, disse que não havia evidências de que as redes de celulares causassem câncer ou outras doenças.

Finalmente, outra grande falha nessas teorias de conspiração é que o coronavírus está se espalhando em países onde o 5G ainda não foi implantado. Até as ilhas isoladas do Pacífico têm casos, e não existem torres 5G nas proximidades.

No entanto, a rápida disseminação de notícias falsas durante a pandemia forçou empresas como Facebook, Google, Reddit, Microsoft e Twitter a emitir um comunicado dizendo que trabalharão juntas para “combater a fraude e a desinformação sobre o vírus”. O YouTube, por exemplo, mudou sua política sobre vídeos vinculando coronavírus ao 5G, dizendo que eles serão removidos.

Durante a pandemia, as redes de celulares fornecem conectividade essencial aos nossos serviços de emergência; elas permitem que as famílias contatem seus entes queridos vulneráveis e em isolamento; que pais ensinem seus filhos em casa; e que milhões de pessoas acessem informação e entretenimento durante a quarentena. Portanto, é imperativo que essas redes funcionem.

Se você tiver alguma dúvida sobre o 5G, encorajamos você a ler nossos posts anteriores que podem explicar exatamente como essa tecnologia se compara às gerações anteriores. Como alternativa, sinta-se à vontade para deixar um comentário na seção abaixo.